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	<title>Prix Jeunesse Iberoamericano 2009 &#187; moderação</title>
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	<description>Festival de produções audiovisuais infanto-juvenis</description>
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		<title>Debates – Algumas conclusões</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 18:42:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Midiativa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Seções]]></category>
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		<description><![CDATA[	Por Aldana Duhalde – Moderadora
	Durante os refrescantes dias do IV Festival Prix Jeunesse Iberoamericano, foi possível vislumbrar uma enorme evolução em relação às edições anteriores. Mais quantidade, qualidade e intenções mais claras.
	Em muitos dos programas se viu uma interessante cor local, um resgate de tradições, uma busca por linguagens próprias, sem perder a universalidade da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Por Aldana Duhalde – Moderadora</p>
	<p>Durante os refrescantes dias do IV Festival Prix Jeunesse Iberoamericano, foi possível vislumbrar uma enorme evolução em relação às edições anteriores. <strong>Mais quantidade, qualidade e intenções mais claras</strong>.</p>
	<p>Em muitos dos programas se viu uma interessante cor local, um resgate de tradições, uma busca por linguagens próprias, sem perder a universalidade da mensagem que <strong>pode atravessar fronteiras pelo seu nível estético e pela sua profundidade na eleição e tratamento dos temas</strong>.</p>
	<p>Também é certo que em muitas ocasiões o visual tinha mais qualidade que a trama. Em outras, que a história teria merecido um nível melhor de realização. E em vários programas observou-se certo temor quanto ao protagonismo dos silêncios, da música e das imagens, fazendo-se um uso abusivo da palavra nos diálogos, ou nas vozes em off. Isso configura uma <strong>presença exagerada do verbal,</strong> que parece caracterizar-nos. Esteve presente em todas as categorias, inclusive na dos menores – Até 6 anos -, deixando de lado uma oportunidade ideal para experimentar outros recursos, mais sensoriais, diretos e eficientes para o “target”.<span id="more-410"></span></p>
	<p>Foi interessante o fluido diálogo entre produtores, educadores e pesquisadores. Como lidar com a delicada tensão entre o entretenimento e a educação? Como ressignificar certos conteúdos quando se visualizam na sala de aula? Como traduzir as necessidades da sala de aula à televisão cotidiana? O que os especialistas em infância têm a aportar? Enfim, quais seriam as habilidades básicas necessárias para o trabalho em equipe? Porém, notou-se que as distâncias entre esses pontos de vista já não são tão enormes e que há, cada vez mais, educadores interessados e entusiasmados com as possibilidades trazidas pela televisão. E mais produtores ávidos de estudos e assessoramento vindos de outros campos de conhecimento. Sobretudo, houve <strong>um consenso em que</strong> <strong>produzir programas de qualidade é muito mais complexo do que se supõe&#8230;</strong></p>
	<p>Um bom ponto de discussão foi <strong>o modo pelo que os adolescentes esperam ser convocados pela televisão</strong>. Qual é o papel dos apresentadores? Qual deveria ser seu tom, gestualidade e vocabulário? Se devemos “melhorar” a linguagem dos jovens ou imitá-los. Se é preciso termos um ritmo e uma pós-produção hiper-saturada de estímulos, camadas e janelas próprias de uma realidade multitask ou se podemos confiar na capacidade dos adolescentes de tolerar alternativas e ritmos mais pausados. Isso seria possível uma vez que as histórias fossem suficientemente intensas, como no caso de alguns documentários mais tradicionais que circularam pelo festival despertando emoções. Mas, além das especulações, ficou claro que é necessário empreender estudos concretos que nos possibilitem ganhar mais proximidade a eles, sem cair em preconceito.</p>
	<p>Os <strong>apresentadores </strong>em geral voltam a ser tema controverso: caso eles sejam adultos, como chegar ao público infanto-juvenil sem infantilizar-se? E, quando forem crianças, como evitar tornar-se uma réplica em miniatura dos clichés de um apresentador estereotipado? Porque, se desejamos <strong>incluir a voz autêntica dos meninos e meninas</strong>, esse é um aspecto fundamental de sua participação: como fazê-los aparecer na tela com voz própria <em>sem forçá-los a trabalhar </em>no sentido de chegar a algum resultado que satisfaça os critérios de um mundo de produção que é total e obrigatoriamente administrado por adultos?</p>
	<p>E chegamos ao ponto nevrálgico deste Prix Jeunesse. Trata-se de um Festival de televisão <em>para crianças</em>. Mais do que buscar a beleza ou a importância de alguns dos conteúdos apresentados, devemos <strong>nos perguntar repetidas vezes como fazer televisão <em>para eles</em></strong>, de onde partir, o quê comunicar, como buscar esse ponto de contato autêntico entre nós como emissores e as crianças reais que estão ao outro lado da tela.</p>
	<p>A boa notícia é que estamos avançando: nas edições passadas do Prix Jeunesse Ibero abundaram programas <em>sobre</em> meninos e meninas, foi um primeiro passo. Hoje, por outro lado, já vimos muitos programas pensados <em>para</em> esse público. <strong>Essa controvérsia se radica no fato de que em geral esses programas seguem propondo um universo outro</strong>, uma tradução audiovisual para crianças de problemas e soluções que são próprios dos adultos.</p>
	<p>Como superar esse desafio? De acordo com o que se viu nos debates, não se trata apenas de seguir pesquisas, nem tampouco de ser fiel a alguma “Bíblia” projetada por especialistas. Seria mais <strong>trabalhar para criar esse espaço específico para crianças</strong>, esse conceito abarcador que seja aplicável a qualquer tema e gênero, que guie todo o processo de produção, desde a idéia até a emissão. Isso significa colocar-se no lugar dos meninos e meninas, literalmente. Jogar-se no chão – como apontou a Dra. Maya Götz numa das workshops oferecidos nesse encontro de São Paulo – para ver realmente o mundo desde sua altura. Para sentir o quê se alcança e o quê não se alcança com essa estatura. Ou ainda, para sentir como se formam e deformam as imagens e sons que circulam sobre nossas cabeças quando somos pequenos. Enfim, descobrir e transmitir como o mundo visto da perspectiva das crianças pode ser maravilhoso ou aterrador.</p>
	<p>Uma vez criado este conceito, segue sendo necessário que toda a equipe de trabalho, roteiristas, câmeras, figurinistas, cenógrafos, animadores, apresentadores, programadores se &#8220;contagie&#8221; com ele&#8230;</p>
	<p>Talvez seja um longo caminho, mas quando vermos que as crianças que existem na tela também existem na vida real e que eles têm, realmente, seu espaço na programação, com certeza teremos consciência de que valeu a pena. Assim será possível fazer programas de sucesso com qualidade, porque então teremos mais meninos e meninas gozando de uma boa televisão.</p>
	<p>Mas para crescer bem, esse espaço terá que multiplicar-se. Seja em leis que contemplem e cuidem dessa produção, em mais canais públicos ou privados comprometidos com mais tempo de programação dedicada a crianças, em mais profissionais formados especificamente na área, em mais produções independentes que possam sobreviver, em mais empresas que apoiem essas produções, ou em mais edições de festivais como este, onde é possível pensar e trocar ideias antes de se fazer, para crescer dentro das paredes deste <strong>apaixonante espaço que é uma boa televisão <em>para</em> nossos verdadeiros protagonistas</strong>.
</p>
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