Identidade, Gênero e Diversidade são palavras de ordem e conceitos, que encontramos obrigatoriamente em todos os debates culturais bem-intencionados dos dias de hoje. Mas essa discussão sozinha já não satisfaz e até soa um pouco antiga. E assim passou na ultima edição do Festival Prix Jeunesse Internacional, que aconteceu em Junho de 2008 em Munique, na Alemanha, sede da Fundação de mesmo nome, que ocupa um pequeno andar do enorme edifício dos Canais da Radio e TV pública da Alemanha, ARD, na região da Bavária. A Fundação é internacional, existe há mais de 40 anos, e trabalha como guardiã dos conceitos e formatos da TV de boa qualidade para crianças e jovens.
Como sempre, aproximadamente 400 profissionais de TV, Web, pesquisa e educação do mundo inteiro se reúnem durante 6 dias para constituirem-se em um grande grupo de jurados internacionais que discute exaustivamente a linguagem audiovisual para crianças .
Foram mais de 130 programas inscritos, destes 57 chegaram à final. Aproximadamente 60 países mandaram seus concorrentes. Ou seja, uma grande parcela de profissionais voltados para a mídia e a infância tem se esforçado na busca da excelência na TV . Há dentro deste grupo uma real crença na TV e na sua capacidade de ensinar e apresentar pequenos desafios, atitudes e reflexões através das imagens e das historias bem contadas. No Brasil, profissionais dos meios, da cultura e de educação realizam este debate, seja através de Ongs , como o Midiativa, produtores, diretores ou mesmo dentro dos canais educativos e culturais ao lado dos Festivais de cinema para crianças.
Vimos no Prix Jeunesse horas e horas de animação (gênero cada vez mais procurado), seriados de ficção , pequenos realities, humor e, até mesmo, documentários e reportagens, que trouxeram algumas boas idéias, mas nada de tão novo ou arrebatador. Apenas programas muito bem-feitos, simples e muito bem-acabados. O que já é uma grande conquista!
Nas discussões, preocupações válidas com o licenciamento de personagens para a indústria em geral, o merchandising na programação infantil e a publicidade para crianças. Assuntos que passam por uma via de mão dupla, onde busca- se a solução da difícil equação: como produzir ou financiar produtos honestos e de qualidade, sem depender demais – ou exclusivamente – do mercado publicitário?
Porém os debates focaram-se nos programas e muito mais nos temas e assuntos da vida e da formação individual, como o tratamento dado à sexualidade, à personalidade em construção e seus questionamentos, à vida em família, às relações de amizade, ao meio ambiente e à sociedade frente ao aquecimento global, à violência, ao medo e quem diria: à morte. Para crianças não há barreiras temáticas, mas, principalmente, diferenças no tratamento e no grau de aprofundamento.
Mas a pergunta que ficou no ar todo o tempo era: até onde nós, produtores, estamos acompanhando a velocidade e a mudança radical da nova geração? A TV para bebês está avançando, mas é esse o caminho a seguir? Que dúvida! Se pais e filhos estão claramente mais próximos e tem menos conflitos, qual é o comportamento padrão de um pré-adolescente? Quais são seus interesses e preocupações? Muitos programas trataram de temas como alcoolismo, drogas, modismo e sexo precoce. Mas será que a TV ainda consegue falar com esse jovem e ainda mais nesta direção? Um jovem de 11 é muito diferente de um de 15 anos. Conhecemos essa audiência? Vale a pena fazer programas para este público ou a saída é a TV para a famosa “family audience”.
Todos os questionamentos são validos neste momento de turbulência tecnológica.
Na verdade, o debate que mais atraiu e interessou os profissionais foi o da Interatividade, é claro. Neste universo de crianças e de jovens, os sites da Web, a internet e os games estão “bombando”. A sessão mais concorrida, a da premiação das paginas Web, recebeu bastante atenção e gerou grande curiosidade e muitas dúvidas. “The Interactive Prize” foi a sensação.
Os números já apontam e confirmam que as novas gerações consomem a TV de forma totalmente diferenciada. O fascínio pela tela do computador e o envolvimento com a internet e as múltiplas possibilidades fazem deste espectador um ser diferente, a ser conhecido e conquistado.
Da mesma forma, o profissional de conteúdo, também passa por uma profunda mudança. Ele também precisa pensar em múltiplas direções, abrindo milhares de janelas a cada novo momento. Precisamos experimentar mais e investir no novo profissional. Eles merecem ser premiados.
Podemos ver claramente que já não há programa ou produto que sobreviva ou que se espalhe pela audiência sem estar acompanhado da internet. Ao mesmo tempo, não há pagina web infantil que sobreviva sem a exposição fulminante e determinante da televisão tradicional.
O prêmio de Interatividade foi coordenado por David Kleeman ( American Center On Children and Media ) e Greg Childs (Childeyes Consulting ), que não só contaram com júri especializado, como também souberam organizar os novíssimos critérios de seleção dos sites em competição. As categorias foram (1) ‘School Beginners” e (2) “School Age/Youth”.
Os finalistas :
Basicamente a inspiração maior de todos eles foi o conhecimento. Conhecer o mundo, seus países, pessoas e culturas; conhecer e explorar as palavras e a Língua; construir um game em vídeo ou ainda. Fazer o seu próprio filme . Todos eles combinados com a televisão, fosse através de um programa ou programete. Muitos outros ficaram de fora, mas mundialmente se persegue esta idéia…Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Noruega , Dinamarca e Holanda.
Entre nos sites e experimente. Veja por onde caminha a cabeça dos novos diretores e produtores infantis e juvenis. Bem no ritmo das novas gerações.
Visite o site Prix Jeunesse internacional 2008 – finalistas
Texto: Beth Carmona (presidente do Midiativa e diretora-geral do Prix Jeunesse Iberoamericano)






























































